A poesia aparece furiosamente com as suas súplicas de uma existência perfeita, eterna, bonita, exigindo a extinção do cheiro da morte e querendo incendiar hospitais e cemitérios, igrejas e todos os edifícios que possam porventura acolher o indizível sofrimento do ser humano, e as palavras que o escolhido profere são de outro tipo – infância, fogo, música, transformação, nudez, movimento, cópula, respiração –, e de repente tudo aparece assim, de uma inocência fundamental que renasce em todo o lado, o absolutismo da arte dominando a vida em todas as instâncias.
No fim, depois de tanto espalhafato inútil, o poeta morre para não mais viver.