Escurece aqui e em todos os quartos. Está frio lá fora. Saio à rua para ir deitar o lixo acumulado e encontro o pai de família paquistanês a passear na varanda comum, de um lado para o outro. Quando passo por ele, o olhar de relance que me dirige é triste, contrário às vozes alegres que ouço do quarto que partilha com a esposa e os filhos. O cheiro indiano das especiarias enche a atmosfera húmida, acrescentando-lhe uma qualidade exótica que não condiz. Estranho… Entro no elevador, saio no piso térreo, atravesso o corredor, abro a porta principal do prédio, atravesso para o outro lado da rua, abro um contendor e mando o saco lá para dentro. Este sítio cheira mal. Regresso ao prédio, subo até ao meu andar, entro na varanda e volto a encontrar o senhor, de passos lentos e pensamento soturno.
25 de agosto de 2010
24 de agosto de 2010
Do Fantástico
A literatura fantástica, enquanto género, oferece ao autor a possibilidade de construir metáforas fortes de coisas que existem na realidade, mas que dificilmente se explicam usando imagens fotográficas desta. E então pega-se num aspecto da realidade que se quer salientar e levasse-o a um extremo evidentemente utópico (ou distópico) que facilite a sua compreensão. É o caso do famoso romance de George Orwell, “1984”, que exprime os medos que o autor sentiu por causa do contexto político em que o escreveu. E é também o caso dos contos de Jorge Luis Borges, que dão corpo a problemas filosóficos universais através de figuras impossíveis. Tanto num caso como no outro, não se trata de literatura de fuga, mas de transmutar a realidade numa hiper-realidade em que tudo é mais intenso.
16 de agosto de 2010
15 de agosto de 2010
8 de agosto de 2010
The suit of truth is nudity
And while you evoke the muse
And dress the literary uniform
The trendy swastika of the mind
Your freedom departs
Your anger is strictly academic
Trained for consent
While birds and corn fields are simple
Unaware of their greatness
And someone writes a better poem from within
A child place
More revolutionary than mastered thoughts
Of adult minds
Are you striving for meaning?
Are you a passionate dog?
Are you looking at the lawns of injustice right in your front yard?
Are the bugs beneath your head itching while you’re trying to sleep?
Is the pillow full of blood?
Are you looking for the human being?
Are your fanciful skills aware of the suffering of your brothers?
Your sense of justice is too defined for me
You are a hater not a pacifist
Please give up being an artist and go fix your makeup instead
It's ruined with pointless despair.
And while you evoke the muse
And dress the literary uniform
The trendy swastika of the mind
Your freedom departs
Your anger is strictly academic
Trained for consent
While birds and corn fields are simple
Unaware of their greatness
And someone writes a better poem from within
A child place
More revolutionary than mastered thoughts
Of adult minds
Are you striving for meaning?
Are you a passionate dog?
Are you looking at the lawns of injustice right in your front yard?
Are the bugs beneath your head itching while you’re trying to sleep?
Is the pillow full of blood?
Are you looking for the human being?
Are your fanciful skills aware of the suffering of your brothers?
Your sense of justice is too defined for me
You are a hater not a pacifist
Please give up being an artist and go fix your makeup instead
It's ruined with pointless despair.
7 de agosto de 2010
3 de agosto de 2010
O extremo do prazer é a morte. Por isso é que somos indivíduos insatisfeitos. Enquanto existimos ambicionamos o orgasmo-limite, sem ousarmos perder a cabeça de modo a atingi-lo, e finalmente quando morremos, é uma morte de segunda categoria, porque a de primeira é para as beatíficas criaturas que pandilharam a noite para a encontrar.
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