A literatura fantástica, enquanto género, oferece ao autor a possibilidade de construir metáforas fortes de coisas que existem na realidade, mas que dificilmente se explicam usando imagens fotográficas desta. E então pega-se num aspecto da realidade que se quer salientar e levasse-o a um extremo evidentemente utópico (ou distópico) que facilite a sua compreensão. É o caso do famoso romance de George Orwell, “1984”, que exprime os medos que o autor sentiu por causa do contexto político em que o escreveu. E é também o caso dos contos de Jorge Luis Borges, que dão corpo a problemas filosóficos universais através de figuras impossíveis. Tanto num caso como no outro, não se trata de literatura de fuga, mas de transmutar a realidade numa hiper-realidade em que tudo é mais intenso.