Escurece aqui e em todos os quartos. Está frio lá fora. Saio à rua para ir deitar o lixo acumulado e encontro o pai de família paquistanês a passear na varanda comum, de um lado para o outro. Quando passo por ele, o olhar de relance que me dirige é triste, contrário às vozes alegres que ouço do quarto que partilha com a esposa e os filhos. O cheiro indiano das especiarias enche a atmosfera húmida, acrescentando-lhe uma qualidade exótica que não condiz. Estranho… Entro no elevador, saio no piso térreo, atravesso o corredor, abro a porta principal do prédio, atravesso para o outro lado da rua, abro um contendor e mando o saco lá para dentro. Este sítio cheira mal. Regresso ao prédio, subo até ao meu andar, entro na varanda e volto a encontrar o senhor, de passos lentos e pensamento soturno.