18 de setembro de 2009

Estupor Agradável

E o que dizer do álcool? Um indivíduo que desconhecesse a composição elementar das moléculas e a cadeia de reacções que desemboca no nascimento de todo o tipo de objectos, mesmo contra a vontade destes, esse indivíduo diria simplesmente que o álcool é a substância alquímica da alegria. A ideia aproxima-se da verdade emocional demasiado certeiramente, bate certo com o que sabemos intuitivamente sem considerarmos o conhecimento escolástico de que somos os filhos indesejados, o conhecimento no qual não tomamos parte construtora sem antes perdermos os caralhos as conas os intestinos, sem antes nos transformarmos em meras bocas disformes e grotescas semelhantes a poças lodosas nauseabundas espalhadas pela superfície da terra com desagradável preguiçosa comísera punição, sem antes perdermos a vida e nos tornarmos estátuas corriqueiras que simbolizem um idolatrado deus verdadeiramente ausente, e de tomarmos o rumo da pura representação… E o que sobretudo amamos não passa de um mito inventrado por outrém!
Mas ainda não somos máquinas, queremos ainda ficar emboscados neste redemoinho de alegorias incompreensíveis devoradoras de incauto esperma consagrado a obliteradas aventuras sôfregas, votadas previamente à feliz resignação do fracasso, ao destino onde a transmutação se cumpre eternamente e a vida é simplesmente um rio que transborda e inunda tudo.