19 de setembro de 2009

Alpinistas

Temos ascendido com frequência notável ao tipo de loucura plena de bem-aventurança, de pernas fracas e bambas e o suor escorrendo como feixes de mel espesso pelas costas atribuladamente, colando-se à roupa, uma aventura através do cansaço para chegarmos lá acima, ao planalto enevoado onde dançamos com as odaliscas nuas em cima das nuvens, a luz na erva e nos pássaros, espalhada com um fulgor obsceno por toda a parte, um azul feérico irreal envolvendo-nos e massajando-nos a pele, que é uma película frágil através da qual comunicamos com o mundo. Chegamos e desaparece-nos o cansaço, desaparece tudo e transformamo-nos em pura sensação, puro júbilo orgásmico infinito. Esta intensidade não tardará a matar-nos, mas o facto não é significativo.