No regresso da sua última viagem psicadélica, equanto o efeito da psilocibina se desvanecia, que é sempre um momento de grande lucidez em que o psiconauta toma decisões que servem para toda a vida, Leonor tomou a augusta resolução de não se preocupar com nada. Se na vida há que escolher uma ditadura para uso caseiro, uma cruz a carregar, Leonor prefere a ditadura da emoção pura, em vez da ditadura da situação histórica. Agora o seu corpo faz parte do jogo dos elementos e não se esconde em lúgebres reflexões inúteis, amputado do universo. Agora o seu corpo é pura sensação.