Fui ter com Henry e encontrei-o a trabalhar. Recebeu-me com um beijo feliz. Trabalhámos juntos. Sentei-me à minha mesa, ao lado da dele, examinando fragmentos a inserir no meu livro. Eu estava repleta da força da sua escrita. Quando ele ficou com fome, ofereci-me para cozinhar o jantar.
– Deixa-me fingir que sou a esposa de um génio – e fui para a cozinha com o meu imponente vestido cor-de-rosa.
A própria voz de Henry me eleva, penso no que ele me disse:
– Quando escrever sobre ti, terei de escrever como se fosses um anjo. Não consigo pôr-te numa cama.
– Mas eu não me comporto como um anjo. Sabes bem que não.
– Sim eu sei, eu sei. Deste cabo de mim estes últimos dias. És um anjo sexual, mas és um anjo na mesma. A tua sensualidade não me convence.
– Vou castigar-te por isso – disse eu. – A partir de agora hei-de comportar-me como um anjo.
– Deixa-me fingir que sou a esposa de um génio – e fui para a cozinha com o meu imponente vestido cor-de-rosa.
A própria voz de Henry me eleva, penso no que ele me disse:
– Quando escrever sobre ti, terei de escrever como se fosses um anjo. Não consigo pôr-te numa cama.
– Mas eu não me comporto como um anjo. Sabes bem que não.
– Sim eu sei, eu sei. Deste cabo de mim estes últimos dias. És um anjo sexual, mas és um anjo na mesma. A tua sensualidade não me convence.
– Vou castigar-te por isso – disse eu. – A partir de agora hei-de comportar-me como um anjo.
em Henry & June, Anaïs Nin, trad. Ana Fonseca, Editorial Presença