Sei que a arte é um simulacro de liberdade, talvez um treino para aquilo que virá no futuro a encher a gente de turbulências de corpos perigosamente próximos do ideal comum.
Sei que a arte é um engodo e que nele morre o peixe mais comum
próximo das tumescências do ópio, de um êxtase quase religioso - um estado de quase iluminação, quase o cerne da existência...
Sei que me engano quando procuro a verde negação das fronteiras inaliáveis da existência.
Sei que no fim...
Que no fim não haverá pão para ninguém, que tudo será putrefacção e vermes que sobrevivem
Que passam a vida a sobreviver porque nada mais existe.
Sei que produzo embustes para negar a passagem do Tempo.