3 de outubro de 2009

A Ausência do Mito

Vi uma coisa que ainda ninguém viu.
Vi uma coisa que se partiu em mil fragmentos dourados
outros de uma rutilância espectral
outros de uma escuridão fatal, a matriz de toda a absurda escuridão do mundo
tão insuportavelmente real.
Apanhei os fragmentos, e com eles quis fazer um novo Deus, para oferecer ao mundo
- os fragmentos não se juntaram, a desordem tinha uma força que os mantinha soltos e espalhados
e então deitei-os fora, os fragmentos que formam o mundo,
e agora o que é mundo?
Reparo ainda nos fragmentos, nos padrões que formam e que se vão criando e destruindo, a plasticidade das coisas fortuitas,
e os fragmentos deslocam-se para longe,
e não entendo, não entendo como uma coisa tão perfeita se pode assim desconjuntar e transformar-se em porcaria cósmica.
Não entendo a inexistência de Deus.