8 de dezembro de 2008

Egocentrismo

Sou um gigante. Os pés fincados no solo, envoltos em raízes que não me deixam fugir, são pés que amam a terra, apesar do desgosto. O preço para aqui ficar é exorbitante, como se pode ver, mas não conheço outro sítio e tenho pavor à morte. A cabeça no ar, narinas que aspiram o ar celeste e inacessível, olhos lacrimejantes por causa de um vendaval selvagem, quase explode. Alto e feio.
O meu narcisismo, a minha grandeza, é demasiado grande para caber na pequenez do mundo. Demasiado alto para poder entrar na porta da mediocridade, onde vocês lilliputs (tão ridículos…) entram para se alimentarem das vísceras quentes dos animais degolados. Que banquete! Mesmo que pudesse entrar, acho que declinaria o convite. Talvez tenha de morrer de fome.