Não há aqui nada que valha a pena, dizias. O poeta morreu nas caves da cidade, soterrado em cimento fresco para a construção do prédio novo. Os quartos deste prédio são perfeitos, não há neles necessidade alguma de fazer poesia. As palavras jáo foram escritas. A estátua foi erigida para sempre. É uma alegria... Não há como fugir daqui. A vida é fácil. Ensinaram-nos o bom senso e a falarmos a mesma língua. Ensinaram-nos tudo - andar, falar, comer, cantar, brincar... Matar. Sabemos tudo. Temos uma resposta para tudo. Somos boa gente, gente com utilidade social. É triste.
O teu poeta morreu num dia como este. As nuvens são cinzentas. Morreu porque o esqueçeram, porque a sua voz perdeu-se entre o tumulto do mundo, no burburinho das paixões falsas. Durante muito tempo pensaste que estava vivo, agindo nas sombras da sociedade de consumo em frenesim louco numa sub-sociedade marginal, mas livre. Depois cresceste e percebeste que o poeta estava morto, para sempre. E depois também tu partiste.
O teu poeta morreu num dia como este. As nuvens são cinzentas. Morreu porque o esqueçeram, porque a sua voz perdeu-se entre o tumulto do mundo, no burburinho das paixões falsas. Durante muito tempo pensaste que estava vivo, agindo nas sombras da sociedade de consumo em frenesim louco numa sub-sociedade marginal, mas livre. Depois cresceste e percebeste que o poeta estava morto, para sempre. E depois também tu partiste.