No meu quarto, a trovoada de sempre vinha às revoadas despedaçar o eco, primeiro os estrondos do metro, que pareciam atirar-se a nós de muito longe, e a cada passagem arrastavam todos os seus aquedutos para despedaçar com eles a cidade, e depois, nos intervalos, chamadas incoerentes de mecanismos que subiam de baixo, da rua, e ainda aquele ruído mole da multidão em redemoinho, hesitante, sempre fastidioso, sempre prestes a remoçar e depois a hesitar de novo e a voltar. A grande marmelada dos homens na cidade.
Lá em cima, onde eu me encontrava, poderia gritar-lhes o que me apetecesse. Foi o que fiz. Todos me enojavam. Não tinha lata para afirmá-lo durante o dia, quando estava à frente deles, mas ali onde me encontrava não arriscava nada e por isso gritei «Socorro! Socorro!», só para ver que resultado dava. Não deu nenhum. Eles, os homens, empurravam a via, e a noite, e o dia. A vida tudo lhes esconde. Com o seu próprio ruído, nada ouvem. Estão-se nas tintas. E quanto maior, e quanto mais alta for a cidade, mas se estão nas tintas. Digo-vos eu. Que experimentei. Não vale a pena.
Lá em cima, onde eu me encontrava, poderia gritar-lhes o que me apetecesse. Foi o que fiz. Todos me enojavam. Não tinha lata para afirmá-lo durante o dia, quando estava à frente deles, mas ali onde me encontrava não arriscava nada e por isso gritei «Socorro! Socorro!», só para ver que resultado dava. Não deu nenhum. Eles, os homens, empurravam a via, e a noite, e o dia. A vida tudo lhes esconde. Com o seu próprio ruído, nada ouvem. Estão-se nas tintas. E quanto maior, e quanto mais alta for a cidade, mas se estão nas tintas. Digo-vos eu. Que experimentei. Não vale a pena.
