9 de fevereiro de 2010

Little bunnies...

Coelhinhos inofensivos saltitam de um lado para o outro, de ficção para ficção, de casamento para casamento, visitando igrejas, patíbulos e bordéis, movidos por uma energia cruel de sobrevivência, nervosamente ensaiando êxtases futuros que nunca chegam, até vir a foice negra e eles deixarem de poder saltitar – as pernas ficam mancas e o cérebro ganha verdete e ferrugem, exala um odor purulento. Depois os animaizinhos morrem, todos se lembram deles, são metidos com carinho dentro de caixões benzidos por padres e fechados dentro da terra, jazendo na santidade eterna dos cadáveres, que são pacíficos, não fazem mal a ninguém.

Também tu saltitas de um lado para o outro, com sede de verdades e cheio de pânicos passageiros, desconhecendo o verdadeiro pânico de saber o que é a vida, o que é a morte, ou talvez sabendo-o de forma pouco sabida, camuflando-o com coisas várias que ajudem a distrair, a passar o tempo da forma mais inocente possível. Saltitas e passeias. Paz na terra, entre todos os coelhos de boa vontade. Queremos histórias que ajudem a eliminar insónias, não as que as provoquem. Queremos continuar a saltitar livres de insónias, pelas manhãs solarengas das nossas fantasias, cobrindo a realidade de sonhos cor-de-rosa.