7 de abril de 2009

"O Horror da Ficção" - sobre a falta de raiva dos utentes da CP

A cada construção que fazem, a cada prédio que erigem do cemitério da cidade superpopulada, há cimento que se deposita impunemente no coração colectivo e adormecido destas pessoas, já de si empedernido e enclausurado nas operações de estética facial, votado ao ideal da beleza postiça, obcecado pelos enredos da televisão, conquistado pelo fulgor ficcionado dos falsos heróis do entretenimento. O herói verdadeiro, mortificado por esta vergonha tão suburbana, este épico macabro de oclusão, destituído de poder, alheado do que é a sua identidade verdadeira, foi emparedado na trama do teatro moderno.